quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Um olhar diferente

Olho para o jardim e vejo a pertinácia de independência da solitária flor. Contraditoriamente vejo em mim, jardineiro, a infatigável determinação célebre de doar com toda valentia a diligência e dedicação que vive em meu coração.
Seria um tolo em procurar motivos racionais para meus gestos com a pequena flor. O óbvio é aparente, tudo é pela felicidade que compensa. Tudo pela beleza enérgica das cores e aromas que a flor inconscientemente emite ao sorrir.
É parte do amor puro ser feliz através da felicidade de quem se ama. A gratidão é a troca, e essa troca vem em gestos recônditos.
Os olhos devem estar atentos às sutilezas, o valor da percepção está em enxergar aquilo que não pode ser visto.

domingo, 7 de dezembro de 2008

A substancial luz do Sol

Como é surpreendente a gama diversa de sensações indecifráveis que seus pequenos gestos isentos de malícia me fazem lastimar.
O toque chega ao seu estimado fim proposto de mil formas, e a conseqüência que mais me torna mirone são as lágrimas que me causa.
Lágrimas essas que movem-se de um pólo a outro com destreza peculiar de um brioso artista plástico que transforma a essência da forma em pura beleza magnífica conceitual.
A lágrima viaja entre o amor e a dor, o fel e o mel contrariando-se dentro de um estorvo compassivo. Tanto na felicidade de contemplar sua beleza, quanto no vazio da sua indiferença. A lágrima provém daquilo que me faz sentir, parte dos momentos felizes que pude me entregar por completo visando seu sorriso, aos momentos onde tive que superar e ser forte ao te ver longe demais onde não pude mais tocá-la.
As dores da experiência nos enchem de medos. Construímos muralhas ao nosso redor e nos abrigamos em redomas de vidro, mas as flores precisam da luz magnificente do Sol, a estrela mãe, para desabrochar. Se a flor não for exposta aos riscos do campo desvalido, não irá nunca exalar a beleza ímpar de suas belas pétalas abertas e perfumadas.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

O que te faz diferente

Quisera eu ter o privilégio nobilito de aclarar com fidelidade certos sentimentos humanos. Faltam palavras no rico vocabulário de nossa língua para o tal.
Falo de sentimentos às vezes encarados como tolos ou absurdos, mas onde está a linha que separa o real do impossível nos sentimentos?
Tudo isso é para aclamar o poder da afeição, a propensão de amar.
Ilusão pensar que vivemos por nós mesmos, pura ilusão a auto-suficiência. O toque, o sentido, o carinho são necessários.
O valor da preciosidade está além do visível aos olhos. A alma tem sua janela, mas olhar não é suficiente para ver.
O tempo, a dedicação, a sinceridade dos sentimentos que concedemos é que faz diferente a sua flor das demais no jardim.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

O vazio é o que preenche

Certas noites onde sou abandonado pelo sossego doce e maternal do sono, me encontro diante de pensamentos sobre aquilo que sinto e é substancial para mim.
Penso nas histórias do passado, nos amores que se foram me fazendo sorrir e chorar, amores que apesar das marcas, me obrigam a continuar caminhando pela estrada sem olhar para trás.
E depois do estorvo da derrota, da dor da tortura do adeus, resta o abraço do envolvente e gélido vazio. E esse, que se torna companheiro fiel justo ao abandono do amor, faz-me uma criança solitária em um cômodo sem móveis, sem luz, sem compreensão.
A verdade do amor se torna incognoscível, valor de essência mutável, diferente a todo momento e situação. Mas o sentir é vulnerável e me entrego a intensidade da dedicação pelo sorriso daquela que cativa meu coração, e essa vontade pela satisfação da felicidade de quem amo às vezes se torna uma vela acesa no escuro. A tênue luz é apenas para recordar dos dias lindos e das noites onde ia dormir com o seu perfume em minhas mãos.
O vazio que hoje abraça, sem dúvida é o pior carrasco. A dor da saudade, da negação é muito menor que a dor do nada, nada esse que é uma palavra sem definição.
A felicidade maior é poder amar.